Opinião
Babalorixá Alexandre Ifatola Dosunmu e sua reflexão sobre Yemanjá
Merece uma reflexão a questão da estátua de Yemanjá sendo branca em alguns terreiros de matriz africana e seja em algumas praias na celebração do dia 02 de Fevereiro, é um exemplo latente de como o embranquecimento iconográfico reflete o racismo estrutural e a tentativa de “higienizar” divindades de matriz africana para torná-las aceitáveis ao padrão eurocêntrico.
Aqui está um resumo sucinto sobre essa banalização:
O Apagamento da Identidade
As imagens instalada em terreiros e ou praias pelo Brasil, frequentemente descrita como uma figura caucasiana de traços finos e pele clara, ignora a origem iorubá de Yemoja. Essa representação não é apenas uma escolha estética; é uma forma de descaracterização religiosa que busca desvincular a divindade de sua negritude e de sua história ancestral.
A Banalização como Controle
Ao transformar o Orixá em uma figura que mimetiza padrões de beleza ocidentais (muitas vezes fundindo-a com a estética de Nossa Senhora), ocorre uma banalização do sagrado africano:
Perda de Simbolismo: O axé e a força da ancestralidade negra são substituídos por um arquétipo “universal” que, na prática, exclui os verdadeiros detentores daquele culto.
Marketing Turístico vs. Respeito Religioso: A estátua muitas vezes serve mais como um ponto turístico “instagramável” do que como um monumento de resistência e afirmação cultural.
Impacto Social
Essa “Yemanjá branca” silencia o debate sobre a intolerância religiosa. Quando se embranquece uma divindade para que ela seja “tolerada” pelo público geral, reafirma-se a ideia de que o fenótipo negro e as raízes africanas ainda são vistos como algo a ser escondido ou modificado.
A verdadeira preservação de um patrimônio cultural exige fidelidade à sua origem. Substituir a face de Yemanjá é, em última análise, uma forma de manter o apagamento histórico da população negra no Brasil. Alexandre Ifatola Dosunmu – Presidente da Câmara de Comércio e Indústrias Brasil Nigéria, Diplomata Civil, Comendador, Babalawo, Babalorixá, Ex-presidente do Conselho de Promoção de Igualdade Racial do Município de São Paulo e Fundador e Presidente do Instituto Akhanda.
Publi Editorial
Xenia D’Andrade
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